Pesquisa do Laboratório de Ecologia e Botânica em Sumé estuda riqueza florística de quintais agroflorestais no Semiárido Paraibano

Um estudo que teve como objetivo caracterizar a composição florística dos quintais agroflorestais no Cariri paraibano foi publicado na Revista Brasileira de Agroecologia por um grupo de pesquisadores ligados ao Laboratório de Ecologia e Botânica (LAEB), do Centro de Desenvolvimento Sustentável do Semiárido da Universidade Federal de Campina Grande.

O artigo “Riqueza Florística de Quintais Agroflorestais no Semiárido Paraibano, Brasil”, de autoria de Alecksandra Vieira de Lacerda (coordenadora do LAEB e líder do grupo de pesquisa Conservação Ecossistêmica e Recuperação de Áreas Degradadas no Semiárido – CERDES); Daniel Vilar da Silva; Azenate Campos Gomes; Carina Seixas Maia Dornelas (Coordenadora do Curso de Agroecologia do CDSA) e Francisca Maria Barbosa está disponível na última edição da Revista e no sítio eletrônico do LAEB: http://www.cdsa.ufcg.edu.br/laeb.

O trabalho direciona informações relevantes do perfil florístico dos quintais em comunidades rurais, fornecendo subsídios para implantação de sistemas agroflorestais. O trabalho completo encontra-se no item publicações no endereço abaixo especificado:

A pesquisa

Os quintais agroflorestais são uma das formas mais antigas e importantes de uso da terra, garantia de alimento e renda dos pequenos produtores rurais. O estudo teve como objetivo caracterizar a composição florística dos quintais agroflorestais no Cariri paraibano através de amostras de duas comunidades rurais no município de Sumé-PB, sendo adotado como critério a seleção de quintais agroflorestais mantidos com tecnologia tradicional e mão de obra familiar ativa.

De acordo com o artigo publicado, para a coleta de dados, os pesquisadores utilizaram levantamento florístico e medição da área do quintal. Foram registradas 118 espécies de plantas distribuídas em 49 famílias e 101 gêneros. As famílias com maior riqueza foram Fabaceae (18 espécies), Euphorbiaceae (nove espécies), Anacardiaceae e Solanaceae (seis espécies cada). As espécies frutíferas tiveram maior ocorrência e as espécies introduzidas predominaram em relação às nativas. O Índice de Riqueza de espécies foi superior nos quintais com menores áreas e a similaridade entre os quintais foi considerada baixa.

A pesquisa contribuiu para a definição do perfil florístico dos quintais em comunidades rurais fornecendo subsídios para implantação de sistemas agroflorestais.

As conclusões do estudo apontam a alta riqueza nos quintais amostrados quando comparado com outros quintais em áreas de florestas secas. De acordo com os pesquisadores, as famílias de plantas com maior número de espécies e gêneros foram Fabaceae, Euphorbiaceae, Anacardiaceae, Solanaceae e Cactaceae. A pinha (A. squamosa) é a única espécie registrada em todos os quintais e, além desta, mais seis espécies ocorrem na maioria dos quintais, sendo cinco frutíferas e a palma, que é utilizada na alimentação animal. Quanto à origem das espécies utilizadas nos quintais, as exóticas são predominantes. As espécies nativas de ocorrência nesses quintais são de uso madeireiro, frutífero, forrageiro, medicinal e artesanal.

Ainda, segundo os pesquisadores, os maiores índices de riqueza são registrados nos quintais com menores dimensões e a similaridade entre os quintais foi considerada baixa. “Portanto, o estudo contribuiu para o conhecimento dos quintais em comunidades rurais do Cariri paraibano, fornecendo subsídios para a seleção de espécies a serem utilizadas em sistemas agroflorestais. Isso possibilita conciliar a preservação da biodiversidade local, o uso sustentável dos recursos naturais e a melhoria da qualidade de vida dos habitantes do Semiárido brasileiro”, destacam.